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Friday, February 24, 2006

A FALTA DE INFORMAÇÕES É O QUE MATA!

Sinceridade, as vezes me falta paciência pra aceitar a imperfeição dos outros. Mas não posso culpar as pessoas, culpo a falta de informação. A falta de preparo. A falta de educação. E isso a gente observa no dia a dia, indo ao Banco e enfrentando uma fila. Lidando com amigos, clientes e companheiros de profissão, e assim por diante.
As vezes eu me pergunto qual a dificuldade das pessoas em aceitar sugestões. Parece que aceitar sugestão diminui alguém. Me lembrei com isso de uma ocasião em que sugeri a um senhor em Belo Horizonte utilizar a faixa de pedestre. Ele me dirigiu palavras lindas e maravilhosas que se você lesse aqui, nem entraria mais neste modesto blog. Mas ele era um senhor, que vivia na capital há pelo menos uns 50 anos e estava acostumado a atravessar a rua naquele lugar errado todos os dias. Naquele dia o trânsito estava intenso e então não deu certo ele atravessar. Mas não sei por que cargas d´água aquele senhor não aceitou minha sugestão. Preferiu ficar lá, esperando por pelo menos mais meia hora para atravessar a Avenida Afonso Pena do que andar uns 150 metros e atravessar a faixa. Bom, mas volto a insistir...era um senhor, e eu posso entender que se sentisse diminuído ou até ofendido em ouvir alguém mais jovem dizer-lhe o que fazer.
Agora quando ouço alguém que tem a vida inteira pela frente para aprender simplesmente, renegar a uma sugestão. E não é a uma ordem: é sugestão mesmo. Aí isso me fere. Me deixa sem paciência com vontade de rasgar a boca no mundo e mandar todo mundo se catar.
Bom, nem sempre é prudente. Nos meus 35 anos de experiência aprendi que não é prudente. E não é mesmo!
Sendo assim, calar a boca e deixar que cada qual veja por si que o que disse nem sempre é o ideal, o certo ou o correto é melhor. É preciso paciência pra isso. Mas é o melhor.
Sendo assim, quem sabe o meu apêlo para que as pessoas se informe mais estando registrado aqui seja até mais produtivo do que tentar falar com elas.
Mesmo do alto do nosso pedestal é preciso descer um minuto gente, prá ouvir a ralé, os plebeus, os indigentes.
Não me tomem por dramático. É que só assim imagino que as pessoas possam entender que nesse mundo tão ligado pela comunicação, pela informação em tempo real. É exatamente neste mundo informado que a falta de informação é o que mata!

1 Comments:

Blogger Unknown said...

OLÁ MEU GRANDE RADIALISTA!! GOSTARIA MUITO QUE VOCÊ LESSE O TEXTO ABAIXO, ELE DIZ TUDO O QUE PENSO A RESPEITO DO RÁDIO. (Tamara Peres). Viva o rádio


Uma das frases mais citadas de Nelson Rodrigues é a que diz que “o videoclipe é burro”.Mas pouca gente se dá conta do sentido profundo desse aparente disparate. O videoclipe é burro porque liquida, ao menos momentaneamente, uma das mais belas faculdades humanas: a imaginação.
Enquanto não vem o videoclipe, o tira-teima, o” ângulo invertido” e outras armas de destruição da fantasia, o que temos é a imagem que formamos na cabeça, em parte fotografia da realidade, em parte investimento da nossa imaginação e do nosso desejo sobre essa mesma realidade.
Por isso o rádio, num sentido muito preciso - o do estímulo à fantasia-, é superior à televisão. Analogicamente, o cinema mudo é superior ao sonoro (porque nos força a “ouvir” com a imaginação) e a fotografia em preto-e-branco é superior à colorida (porque nos faz imaginar as cores, pintar com os olhos da mente).
Como muita gente da minha geração, ouço muito jogo pelo rádio na infância e agora, na adolescência.
O rádio nos traz um futebol vibrante, dramático e misterioso, feito menos dos fatos reais ocorridos em campo do que talento expressivo dos narradores ( no caso, você, Nairlan).
Autênticos artistas da representação, os narradores criam seus bordões pitorescos, dão ao jogo uma velocidade que não existe, modulam a voz à perfeição para criar atmosfera.
Até o silêncio do locutor são expressivos. No crescendo emotivo da narração de um lance de ataque, algumas brechas do discurso deixa-nos ouvir ao fundo o rumor da torcida, pelo qual sintonizamos a nossa expectativa.
Um segundo antes de o desfecho ser narrado, sabíamos se houve gol ou não,, dependendo do alarido.
Entramos no clima da partida minutos antes do apto inicial, quando soa a vinheta esportiva e começam a ser transmitidas informações sobre os times, flashes do estádio, perfis de jogadores, etc.
Da mesma forma, o drama e a comédia ocorridos em campo continuam durante as horas posteriores, nas entrevistas, nos comentários e nos programas especiais.
A imaginação é um músculo, dizia Luís Bunel. Para que não se atrofie, é preciso exercitá-la como exercitamos qualquer outro músculo.
O rádio, para milhões de brasileiros, representa um meio de exercitar a imaginação e a sensibilidade. A TV registra a verdade, e a verdade é o deu dom de iludir. O rádio, o rádio não. O rádio inventa a verdade junto com a gente.

Folha de São Paulo
13/05/06

4:51 PM

 

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